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Destaque: Ministro sofre epidemia declaratória ao falar de crack

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08/12/2011

Cliente da consultoria de Pimentel nega o pagamento

  Wilson Dias/ABrChama-se ETA Bebidas do Nordeste uma das empresas às quais Fernando Pimentel diz ter prestado consultoria antes de virar ministro de Dilma Rousseff.
Dos R$ 2 milhões amealhados por Pimentel em dois anos, a ETA responderia por R$ 130 mil. O ministro alega ter feito um "estudo de mercado para a empresa.”
Nessa versão, a cifra foi à caixa registradora P-21 Consultoria, a firma de Pimentel, em duas parcelas. Ambas em 2009: R$ 70 mil em maio; R$ 60 mil em julho.
Os repórteres Thiago Herdy, Fabio Fabrini, Leticia Lins e Cassio Bruno foram ouvir os sócios da ETA. Deu-se o inusitado: eles negam ter feito pagamentos a Pimentel.
Ouça-se Roberto Ribeiro Dias, um dos donos da ETA no ano de 2009:
“Ih, rapaz, esse negócio é muito estranho. É valor muito alto para o trabalho que a gente tinha. Tem alguma escusa, tentaram esconder alguma coisa.”
A ETA está sediada na cidade pernambucana de Paulista, na região metropolitana de Recife. Produz um refresco de guaraná batizado de Guaraeta.
Roberto Ribeiro acrescentou:
“Esses valores não são compatíveis para o nosso negócio. O que a gente fazia de vez em quando era contrato de R$ 10 mil, R$ 15 mil…”
“…Para meninas fazerem propaganda em jogo do Sport com o Santa Cruz. A gente não tinha condições de fazer nada muito diferente disso.”
Outro sócio da empresa de bebidas, Eduardo Luis Bueno, reagiu assim ao ser inquirido sobre a consultoria do ministro: “P-21? Fernando Pimentel?”
Informado sobre o valor que Pimentel diz ter recebido da Eta (R$ 130 mil), Eduardo foi suscinto: “Difícil”.
Alcançado pelo telefone, um terceiro integrante do quadro societário da ETA na epoca, Adriano Magalhães da Silva, disse:
“Olha, não sei de nada disso, quem respondia pelas ações da empresa era o administrador, o Leonardo. Só ele pode responder sobre essa história.”
Adriano Silva forneceu o número do telefone de Leonardo. Ouvido, o administrador mostrou-se supreso:
“Não sei disso, mas foi o Adriano que pediu para você me ligar? Vou ver com ele essa história e te ligo em seguida”. Não ligou nem atendeu mais às ligações.
No início de 2011, a estrutura da ETA foi adquirida por Ricardo Pontes. Procurado, disse que os antigos donos jamais mencionaram a consultoria de Pimentel.
“Eles pretendiam vender chá aqui, mas o negócio não deu certo e eu não fiquei com a empresa deles, que é outra figura jurídica. Só posso responder pela minha parte.”
Os serviços de Pimentel, se prestados, não produziram resultados. Hoje, a empresa está inoperante.
Ricardo Pontes planeja usar a estrutura da ETA para fabricar sucos de frutas.
Por meio de uma nota da assessoria, Pimentel confirmou ter recebido os pagamentos da ETA. Desmentido pelos sócios, foi procurado novamente. Não disse palavra.
Nesta quarta (7), sob orientação do Planalto, o consórcio partidário do governo moveu-se para derrubar na Câmara requerimento de convocação do ministro.
Nesta quinta (8), Pimentel será recebido em audiência por Dilma, sua amiga dos tempos de guerrilha. O ministro é aguardado as 16h30, informa a agenda oficial.
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Escrito por Josias de Souza às 05h42

Câmara se autoconcede presente de Natal. Você paga

A Câmara planeja votar na semana que vem um pacote natalino. Contém afagos monetários aos servidores e aos deputados. Vai custar R$ 386 milhões ao ano.
Instado pelos repórteres a comentar os mimos, o deputado Marco Maia (PT-RS), falou como Papai Noel: “É Natal!” Súbito, caiu-lhe a ficha: “Vocês não vão colocar isso, né?”
O embrulho da Câmara inclui três brinde$. Um vai ao contracheque dos servidores. Na média, reajuste de 10%. No pico, 39%. Custo: R$ 320 milhões por ano.
Outro será injetado no borderô dos gabinetes. Hoje, a “verba de gabinete” sai a R$ 60 mil por deputado. Pode chegar a R$ 80 mil por mês. No total, R$ 56 milhões ao ano.
A terceira oferenda vai para o PSD. A recém-criada legenda de Gilberto Kassab será autorizada a contratar algo como 60 assessores. Coisa de R$ 10 milhões anuais.
Na festa natalina da Câmara, os deputados, convergidos em Noéis de si mesmos, enchem o saco. Você esvazia o bolso.
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Escrito por Josias de Souza às 04h32

As manchetes desta quinta

- Folha: Senado rejeita criação de outro imposto da saúde
- Estadão: Dilma vai mudar gerência do PAC para aquecer economia
- Correio: Policial em fúria invade o Palácio do Buriti e é preso
- Valor: Pressão por gastos ameaça meta fiscal, alerta Mantega
- Zero Hora: Dilma promete R$ 4 bi para enfrentar o crack
Leia os destaques de capa de alguns dos principais jornais do país.
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Escrito por Josias de Souza às 03h35

Festa de fim de ano!

Nani

- Via 'Nani Humor'. O blog no twitter.
Escrito por Josias de Souza às 01h54
07/12/2011

Meirelles: mercado interno salvará Brasil da recessão

Presidente do Banco Central nos dois reinados de Lula, Henrique Meirelles retornou a Brasília nesta quarta (7).
Meirelles foi a estrela da cerimônia de lançamento do ‘Espaço Democrático’, fundação criada pelo partido de Gilberto Kassab para debater os problemas nacionais.
Em palestra dirigida a congressistas e filiados do PSD, Meirelles falou sobre a nova crise, espécie de replay da turbulência que ajudou a enfrentar em 2008 e 2009.
Para Meirelles, as dificuldades enfrentadas pelos EUA e pela Europa ameaçam o PIB brasileiro. Mas acha que o país pode prevalecer sobre as adversidades.
Declarou: “Há, sim, risco de recessão mais profunda em nossa economia. Mas o Brasil tem condições de enfrentá-lo com crescimento do mercado interno”.
Meirelles se absteve de comentar a condução da política monetária do BC, hoje dirigido por Alexandre Tombini, ex-integrante de sua equipe.
A estagnação da economia no terceiro trimestre de 2011, detectada pelo IBGE, não preocupa Meirelles.
Sem mencionar percentuais, o ex-mandachuva do BC de Lula vaticinou que o PIB voltará a crescer já nos próximos trimestres.
Meirelles fez alerta. Para ele, o grande desafio do Brasil se chama “competitividade”. As empresas brasileiras precisam produzir mais, com custos menores.
Para que isso ocorra, disse Meirelles, os investimentos em infraestrutura são “fundamentais”.
Considera essencial também “abrir oportunidades regulatórias para que novos empreendedores possam crescer.”
De resto, disse que é preciso “aumentar o nível de emprego.” Insinuou que a mão de obra brasileira precisa ser qualificada.
Defendeu a formação de “empregados cada vez mais produtivos.” Enfatizou: “Não há como escapar disso.”
Depois de trocar o PMDB de Goiás pelo PSD de São Paulo, Meirelles tornou-se a principal referência econômica da nova legenda.
A fundação do PSD terá 18 “conselhos temáticos”. Caberá a Meirelles a coordenação do conselho de “Política Econômica”.
- Em tempo: Foto de Fábio Pozzebom, Agência Brasil.
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Escrito por Josias de Souza às 23h09

Senado ‘regulamenta’ saúde e deixa SUS na pindaíba

Terminou a tramitação do projeto que define os investimentos em saúde. Já tinha passado pela Câmara. Na noite desta quarta (7), foi aprovado no Senado.
O texto seguiu para a mesa de Dilma Rousseff. Sancionado, vai virar lei. O que muda? No essencial, nada.
A saúde pública brasileira vai continuar na mesma situação: afundando. A analogia do navio é mesmo a mais adequada para descrever a cena.
Um navio, tanto quanto o SUS, é uma coletividade em movimento. No caso do SUS, vai de mal a pior. Um navio, como o sistema de saúde, tem diversas classes.
Está todo mundo no mesmo barco. Mas alguns ficam nas cabines de luxo do último deck, ao lado da piscina. Outros, no porão, perto das máquinas.
Ninguém imaginava que o projeto fosse levar a clientela do SUS ao deck do Sírio Libanês ou do Einstein. Imaginou-se, porém, que ajeitaria o porão.
A proposta que acaba de ser aprovada era aguardada há 11 anos. Desde 2000, quando fora empurrada para dentro da Constituição a Emenda 29.
Essa emenda repartiu as responsabilidades de cada ente federativo no rateio dos investimentos no setor de saúde.
Ficou estabelecido: os municípios entram com 15% de sua arrecadação. Os Estados, 12%. A União aplica o que gastou no ano anterior, mais a variação do PIB.
Para recordar: o projeto que foi a voto é de iniciativa do ex-senador Tião Viana (PT-AC), hoje governador do Acre.
A primeira versão, aprovada por unanimidade no Senado, em 2008, mexia num dos lados do triângulo financeiro da saúde. O lado da União.
Previa: o governo federal passaria a destinar ao SUS 10% de sua arrecadação. Em números de hoje, isso representaria uma vitamina monetária de R$ 35 bilhões.
Embora a proposta fosse de um petista e tivesse merecido os votos da unanimidade dos senadores, o governo armou-se contra ela na Câmara.
Maioria em riste, os deputados do condomínio governista arrancaram do texto a regra dos 10%. A oposição tentou ressuscitá-la no Senado. O governo não deixou.
Os senadores retiraram do projeto um fantasma inventado na Câmara: a CSS (Contribuição Social para a Saúde). Uma versão edulcorada da velha CMPF.
Arrancou-se também do texto uma aberração. Os deputados haviam reduzido o bolo de recursos de onde os Estados retiram os 12% para a saúde.
Nesse lance, excluíra-se da conta a verba de um fundo educacional, o Fundeb. Com isso, as arcas da saúde tinham perdido R$ 7 bilhões.
Dito de outro modo: além de não elevar o orçamento do SUS, os deputados diminuíram o borderô. O Senado tirou essa macumba da encruzilhada.
Os congressistas festejam uma vitória de Pirro. Alega-se que o projeto teve o mérito de definir mais claramente o que é investimento em saúde.
Parece incrível, mas os governadores estavam contabilizando como gastos no setor obras de saneamento, a folha dos aposentados e outros absurdos.
A maquiagem orçamentária drena do orçamento do SUS mais de R$ 4 bilhões por ano. O projeto proíbe os desvios. Imagina-se que, agora, os governadores irão respeitar. Será?
Noves fora a definição do óbvio –dinheiro da saúde deve ser investido na saúde— a nova lei manteve o quadro de subfinanciamento do SUS.
O governo diz que não pode fazer nada. A desculpa é que o navio sofre com as intempéries. O  mar não está pra peixe. É hora de contornar as geleiras que chegam dos EUA e da Europa.
Quer dizer: a turma do porão vai continuar reclamando do tratamento. Mas a ordem de Brasília é: vê se rema e não chateia. Nada é tão ruim que não possa piorar.
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Escrito por Josias de Souza às 22h33

Ministro sofre epidemia declaratória ao falar de crack

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, em 5 de outubro de 2011: "Não acho que haja uma epidemia de crack. O grande vilão é o álcool.”
Alexandre Padilha, em 7 de dezembro de 2011: “Nós temos que dar um tratamento para esse problema do crack como um tratamento de surto epidêmico.”
Escassos 63 dias separam o Padilha da primeira frase do Padilha da segunda declaração. Entre os dois, um ministro confuso.
Há dois meses, sustentava-se que a série histórica de estatísticas do Ministério da Saúde desautorizava a conclusão de que o crack tornara-se epidêmico.
Agora, afirma-se que a mesma série de dados indica algo que as ruas já denunciavam: a droga ganhou proporções epidêmicas (veja no vídeo).
Emparedada pelas evidências, Dilma Rousseff anunciou um plano nacional de combate ao crack. Prevê investimentos de R$ 4 bilhões.
Ficou no ar uma indagação: quem vai tratar da epidemia declaratória do ministro da Saúde.
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Escrito por Josias de Souza às 20h18

TCU eleva preço mínimo na ‘concessão’ de aeroportos

  B. Mathuer/ReutersOs ministros do Tribunal de Conta da União debruçaram-se nesta quarta (7) sobre o plano econômico-financeiro da concessão de aeroportos.
O plano do governo Dilma Rousseff foi aprovado com ressalvas. O TCU recomendou a elevação dos preços mínimos que serão exigidos nos leilões.
Vão ao martelo três dos principais aeroportos do país: Brasília, Guarulhos e Viracopos. Nos três casos, houve elevação dos preços. Coisa expressiva.
No caso do aeroporto de Brasília, o preço mínimo da outorga subiu de R$ 75 milhões para R$ 761 milhões. Elevação de notáveis 907%.
O valor mínimo de Guarulhos subiu 66,3%: de R$ 2,292 bilhões para R$ 3,811 bilhões. O de Viracopos, 234%: de R$ 521 milhões para R$ 1,739 bilhão.
Para o TCU, o governo superestimou o volume de investimentos que as empresas terão de fazer nos três aeroportos.
Refeitas as contas, o valor dos aportes caiu. Daí a elevação do lance mínimo a ser exigido das empresas interessadas em participar dos leilões.
Ouvida, a SAC (Secretaria de Aviação Civil da Presidência da República) informou que, “em princípio”, pretende acatar as recomendações do TCU.
Os editais de convocação dos leilões devem ser publicados na semana que vem. Os leilões poderão ser feitos 45 dias depois da publicação.
Além da análise da engrenagem financeira do negócio, o TCU terà de aprovar também os termos dos editais.
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Escrito por Josias de Souza às 19h26

Governo admite rachaduras na obra do São Francisco

Valter Campanato/ABr
Responsável pela transposição do Rio São Francisco, o Ministério da Integração Nacional divulgou uma nota sobre o andamento do projeto.
No texto (disponível aqui), informa-se que fiscais da pasta “identificaram rachaduras, fissuras e descolamento de placas de concreto em três trechos” da obra.
As “falhas” foram classificadas como “serviços em deterioração”. Afetam canais assentados nas cidades de Floresta e Custódia.
Ambas ficam em Pernambuco, o Estado do ministro Fernando Bezerra (PSB), titular da pasta da Integração Nacional (foto lá no alto).
“Não há nenhum risco de prejuízo para o ministério”, anota o documento divulgado nesta quarta (7).
Alega-se que “os serviços possuem garantia contratual e serão reparados pelas empresas.”
“O Ministério da Integração não pagará, em hipótese alguma, o mesmo serviço em duplicidade”, enfatiza o texto.
A nota vem à luz quatro dias depois da veiculação de notícia sobre a deterioração e a paralisia das obras do São Francisco.
Vendida por Lula como “prioridade” do PAC, a transposição foi levada à vitrine eleitoral de 2010 como evidência da capacidade gerencial de Dilma Rousseff.
Depois da posse de Dilma, o que era prioritário no gogó tornou-se a secundário na prática. As obras passaram a conviver com desencontros financeiros.
As empreiteiras condicionaram a continuidade de determinados trechos à renegociação dos valores. Sem acordo, evoluiu-se para a paralisia.
Hoje, as obras estão orçadas em R$ 6,8 bilhões. Uma cifra 36% acima dos valores iniciais. O governo já pagou R$ 2,7 bilhões. Empenhou outros R$ 3,8 bilhões.
Em sua nota, o ministério tenta contester a paralisia: “O Projeto de Integração do Rio São Francisco não está interrompido ou parado.”
Afora dois canais confiados ao Exército, há 14 lotes sob responsabilidade de consórcios privados.
A despeito da negativa, o documento do ministério realça: “A obra conta com 3.900 postos de trabalho e com dez lotes em atividade”.
Quer dizer: se há dez trechos “em atividade”, existem outros seis inativos. Entre eles, os três canais nos quais a fiscalização detectou “serviços em deterioração”.
O ministério afirma que seus engenheiros realizam inspeções semanais nas obras.
Segundo a nota, as empresas responsáveis pelos trechos com avarias em Floresta e Custódia foram notificadas.
Parte do serviço –a colocação de 500 metros de placas de concreto que se deslocaram— já havia sido pago.
“Em março deste ano, o Ministério da Integração estornou o montante de R$ 89,1 mil da fatura correspondente a este serviço”, diz o texto.
A certa altura, o documento reconhece implicitamente as desavenças contratuais e a interrupção de trechos da obra:
“Com a conclusão dos ajustes contratuais, o lote 10 deverá retomar as obras em janeiro próximo. E o lote 9 deverá ser retomado em fevereiro de 2012.”
Mais adiante: “ Em janeiro de 2012, a construtora do lote 11, em Custódia, iniciará a recuperação de 385 metros de descolamento de placas.”
- Serviço: Aqui, entrevista concedida por Fernando Bezerra a uma rádio pernambucana. Na conversa, o ministro admite os problemas e anuncia a realização de novas licitações. 
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Escrito por Josias de Souza às 18h11

‘Ministros virão na hora e do jeito que a gente quiser’

Como previsto, o governo levou o ministro Fernando Pimentel à bolha. Protege-o das investidas legislativas da oposição.
Numa comissão da Câmara, foi a voto o primeiro requerimento de convocação do ministro, de autoria do PSDB. Caiu por 13 votos a 5.
Vice líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ) explicou a lógica da decisão: "Os ministros virão na hora que a gente quer, do jeito que a gente quer."
Até bem pouco, Cunha era alvo. Dilma se jacta de ter varrido de Furnas o poder de influência do deputado. Hoje, Cunha é escudo:
"Querem discutir a vida pregressa de um ministro que não ocupava cargo público. Isso aqui vai virar o que a gente não quer que vire…”
“…Vamos fazer pequenas CPIs de questões municipais e estaduais não relacionadas com a União."
Medido em cifrões, Pimentel é um “pequeno problema” de R$ 2 milhões. Medido em centímetros, é o mais próximo auxiliar de Dilma. Problemão.
Duas razões podem ser invocadas pelos protetores do ministro. Numa, poupa-se a “vida pregressa” de um consultor inocente.
Noutra, retira-se do gancho um consultor duvidoso que, exposto, faria “isso aqui virar o que a gente não quer que vire.”
Nas duas hipóteses, a proteção é inútil. A inocência dispensa escudos. A dúvida, quando submetida ao jogo de esconde-esconde, torna-se suspeição.
Antonio Palocci, o penúltimo vizir da consultoria que o Planalto protegeu no Congresso, caiu porque explicou-se com meias palavras que esconderam palavras inteiras.
A desconversa de Palocci inaugurou, sob Dilma, um vale-tudo semântico em que todo mundo ficou desabrigado de fazer sentido.
No tempo em que as palavras ainda tinham significado, "lealdade" pertencia ao mesmo grupo de "honradez" e "ética", não ao grupo de “submissão” e “conivência”.
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Escrito por Josias de Souza às 15h40

Dilma: 2012 será necessariamente melhor do que 2011

Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma Rousseff recebeu na noite passada o título de ‘Brasileira do Ano’ de 2011. Concedeu-o a Editora Três, que publica a IstoÉ.
Ao discursar, a presidente discorreu sobre a crise internacional e seus efeitos. Absteve-se de mencionar a notícia do dia, provida mais cedo pelo IBGE.
A economia brasileira estagnou no terceiro trimestre de 2011. Crescimento zero, informara o instituto que cuida das estatísticas oficiais.
Dilma preferiu mencionar o desempenho acumulado no ano: 3,2% até setembro. No mais, dedicou-se a fazer previsões otimistas:
"Não só estamos encerrando o ano com estabilidade e crescimento, mas sobretudo com visão de que 2012 será necessariamente melhor do que 2011.”
“Não é pouca coisa”, Dilma fez questão de enfatizar, sobretudo se for considerada “a insensatez política que vivenciamos este ano nos EUA e na Europa."
Sobre o passado, disse que se equivocaram os que previam que o Brasil viveria uma crise cambial. Exporta-se mais do que é importado, disse ela.
Segundo Dilma, o Brasil aprendeu em duas décadas de crise que não há outro modo de lidar com as tormentas econômicas senão crescendo e distribuindo renda.
Mencionou o engordamento da classe média. Disse que irá solidificá-la. Simultaneamente, espera “eliminar” a extrema pobreza.
Tivemos ao longo desses anos uma realização extremamente importante. Elevamos uma Argentina à sitiação de consumidores...
“E queremos que essa ‘uma Argentina’ seja composta de cidadãos plenos, com educação de qualidade, com saúde de qualidade.”
Enquanto Dilma discursava em São Paulo, o bloco governista manobrava no Senado para excluir da pauta o projeto que eleva os invesrtimenrtos em saúde.
A oposição e um pedaço da coligação governista tramavam puxar de 7% para 10% a participação da União no borderô do SUS. 
Traduzindo em cifras: o governo seria obrigado a injetar anualmente nas arcas da saúde pública um adicional de R$ 35 bilhões.
Não há dinheiro, afirmara Dilma, numa reunião com líderes dos partidos que a apoiam. Determinou que a proposta da saúde fosse barrigada.
Na cerimônia de premiação, Dilma soou assim: “Não só vamos eliminar a extrema pobreza, como também [...] aperfeiçoar a qualidade dos serviços públicos...”
“...É a condição para que esse país tenha de fato uma grande classe média.”
Dilma dedicou o prêmio aos brasileiros. Evocando outra premiada da noite, a atriz Lilia Cabral (na foto lá do alto), Dilma atribuiu o êxito do país ao trabalho de "Griseldas e Griseldos.”
Griselda é como se chama a personagem de Lilia em ‘Fina Estampa.’ Começou a novela pobre.
Ganhava a vida como “marida de aluguel”, uma biscateira faz-tudo.
Com o desenrolar da trama, Griselda ganhou sozinha na loteria: R$ 55 milhões.
Mudou-se para uma mansão, virou empresária, esnobou um português e foi para a cama com um refinado chefe de restaurante francês.
Quer dizer: o brasileiro remediado é uma Griselda que ainda não ganhou uma bolada na Megasena.
- Serviço: Aqui, o vídeo com a íntegra da premiação e do discurso de Dilma.
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Escrito por Josias de Souza às 06h07

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